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Hidrocefalia no período neonatal

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A palavra hidrocefalia tem origem Grega hydro, que significa água e cephalus significa cabeça, literalmente traduzindo, "água na cabeça". Fisiologicamente a água representa o líquor, cuja função primordial é proteger o sistema nervoso central (SNC).

Em situações normais, o líquor é cristalino como a água, circula dentro das cavidades ventriculares do encéfalo e nos espaços subaracnóideos deste e da medula espinhal. Comparando o líquor com um rio, podem haver obstáculos no seu fluxo (detritos poluentes não biodegradáveis) ou diminuição da sua vazão quando barreiras são colocadas em seu leito. Assim, por analogia, o líquor pode ter dificuldade de circular por obstrução (tumores, cistos, malformações) ou por detritos em seu espaço de circulação habitual (infecção como a meningite ou hemorragias).

A hidrocefalia é o resultado do desequilíbrio entre a produção, circulação e absorção do líquor. As causas mais comuns de hidrocefalia no recém nascido são a prematuridade e a mielomeningocele. No caso do recém nascido prematuro, ocorre a hemorragia da matriz germinal. Quando a hemorragia é leve (grau I e II), a evolução pode ser tranqüila, com riscos reduzidos de desenvolver hidrocefalia. Nos graus III e IV, podemos comparar a uma enchente onde há o transbordamento de um rio, o leito preparado para dar vazão ao líquor no caso do ser humano ou no rio no caso da natureza, é insuficiente e temos que criar alternativas locais.

No caso da hidrocefalia aguda, é necessário o diagnóstico rápido. No recém nascido, pode ser através do ultra-som transfontanelar. Nos casos onde a fontanela está fechada, em crianças maiores ou mesmo em adultos, os exames indicados são a tomografia computadorizada de crânio ou a ressonância magnética do encéfalo.

A hidrocefalia é uma das doenças mais comuns na vida do especialista em neurocirurgia pediátrica. As conseqüências de um diagnóstico não realizado ou de um tratamento adequado não instituído são devastadoras para a vida do ser humano. O líquor acumulado pode destruir as estruturas adjacentes, no caso o cérebro.

Em alguns casos o tratamento reverte as perdas, quando poucas e por um período curto de tempo. Em casos extremos temos a destruição progressiva e total do encéfalo ou mesmo casos fatais. No recém nascido, a manifestação mais comum é o aumento do perímetro cefálico (PC) designado como macrocrania. O diagnóstico pode ser facilitado se, juntamente com a curva de peso e estatura, a criança for acompanhada com a curva de crescimento do PC pelo pediatra e pela família. A fontanela anterior pode estar aumentada em seu tamanho para a idade, mais cheia que o habitual ou tensa.

Nos casos onde o diagnóstico é tardio, percebemos o "olhar do sol poente", onde a criança fica permanentemente olhando para baixo ou outras formas de estrabismo. O diagnóstico da hidrocefalia em crianças onde a fontanela anterior já está fechada pode ser suspeitado na presença de um atraso nas aquisições neuro-psico-motoras (sustentar a cabeça: + ou - 3meses; sentar + ou - 6 meses; caminhar ou falar por volta de 12 meses). Também pode acontecer uma parada nas aquisições obtidas ou início de regressão das mesmas.

As manifestações mais tardias incluem a síndrome de hipertensão intracraniana caracterizada por cefaléia, vômitos, alteração da marcha e incontinência urinária. As alterações visuais podem ocorrer, desde o borramento da visão, perda progressiva até a cegueira secundária a hipertensão intracraniana crônica, não diagnosticada ou não tratada.

Felizmente existem tratamentos adequados e com resultados excelentes. O tratamento temporário da hidrocefalia aguda, quando em vigência de infecção ou hemorragias intraventriculares, é a drenagem ventricular externa, conhecida como DVE. Um procedimento relativamente simples, mas realizado sob anestesia geral e no centro cirúrgico, que consiste na introdução de um cateter de silicone no sistema ventricular, acoplado a uma bolsa coletora com fechamento hermético que vai ser mantida até o líquor recuperar suas características normais.

A drenagem deste líquor é controlada pela altura da bolsa coletora. Nestes casos, a enfermagem especializada e treinada no manuseio é imprescindível para o sucesso do tratamento.

O tratamento definitivo da hidrocefalia depende da causa desta. Na hidrocefalia comunicante onde todas as cavidades ventriculares estão aumentadas, a melhor opção é uma drenagem ventrículo peritoneal, ou DVP. Este sistema é interno e consiste num cateter intraventricular conectado a uma válvula que controla a quantidade de líquor drenada e conectada a um cateter peritoneal.

Externamente temos apenas duas cicatrizes, uma craniana e outra abdominal. Em recém nascidos, podemos ver o cateter por transparência no subcutâneo na região cervical, tórax e abdômen, daí a importância da escolha de materiais adequados para cada paciente. Na hidrocefalia obstrutiva, onde existe uma obstrução entre as cavidades ventriculares, o mais recente e adequado método de tratamento é a neuroendoscopia. O procedimento é conhecido como terceiro-ventriculostomia endoscópica ou IIIº VE. Este procedimento, respeitando-se as indicações, tem um índice de sucesso entre 70 e 90% no tratamento da hidrocefalia.

A presença de um berçário externo, como o do Hospital Samaritano, é um fator positivo para o tratamento adequado dos recém nascidos com malformações neurológicas. Estamos felizes em poder oferecer aos nossos clientes uma estrutura hospitalar ímpar, facilitando o sucesso das intervenções cirúrgicas e a reabilitação pós-operatória.

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