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Depressão pós-parto pode ser prevenida

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A depressão pós-parto tem as mesmas características de uma depressão normal, ou seja, a pessoa sente tristeza profunda, nihilismo (não vê futuro em nada), tem psiquismo preso ao passado, pensamentos negativos e pessimistas, medos estranhos e incompreensíveis. Podendo ocorrer também, alteração somática (sono e apetite), sintomas somáticos (cefaléia, gastrites, dores) e prejuízo da vida útil. “A mulher durante o ciclo reprodutivo (da primeira a última menstruação) tem duas vezes mais chance de ter depressão do que o homem ou outra mulher fora deste período”, explica Dra. June Melles Megre, psiquiatra do Hospital Samaritano.

Essa maior freqüência é causada por alterações hormonais sexuais (progesterona e estrogênios). “Sabe-se que esses hormônios não causam a doença, mas modulam o psiquismo”, explica.

Há uma subpopulação feminina que está mais sensível as alterações hormonais, como aquelas mulheres que tem tensão pré-menstrual (TPM). “Durante a gravidez as mudanças são lentas, existe a adaptação. A alteração hormonal até protege a mulher de ter um quadro de depressão. Após o parto, existe uma alteração brusca de hormônios, o que propicia essa subpopulação feminina a apresentar alteração patológica de humor”, comenta.

Esta alteração do humor pode ser dividida em dois tipos: leve e intensa. “A leve tem sintomas mais suaves, passageiros, durando, cerca, de uma semana. Geralmente, inicia-se do terceiro ao quinto dia do período pós-parto. Deixa tristeza, vazio, podendo haver alteração de apetite”, explica.

A intensa começa na segunda semana pós-parto e alteram o psiquismo, as funções somáticas e a vida útil da paciente. “Nesses casos, muitas vezes, a mãe se vê impedida de cuidar do próprio filho e de si mesma, precisando de um atendimento médico especializado, muitas vezes, com uso de medicação”, acrescenta.

As mulheres que se enquadram nessa subpopulação feminina devem se prevenir quanto ao risco de depressão pós-parto. “As mulheres que estão mais propícias são aquelas que já tiveram quadros depressivos anteriormente, em pós-parto ou não. Mulheres que tem alterações de humor importantes durante a pré-menstruação. Aquelas com antecedentes familiares de depressão grave, principalmente, em pós-parto. Mulheres que engravidam durante período de tratamento depressivo e adolescentes grávidas ou mulheres já maduras, com falta de apoio familiar, boa sustentação social ou com personalidade imatura”, explica dra June.

No entanto, mulheres que tem depressão ou antecedentes depressivos podem engravidar e terem partos sem grandes riscos. “Várias pacientes com quadro depressivo, tiveram seus filhos e vida normal pós-parto. É uma morbilidade que pode ser prevenida. É necessário que a família compreenda e ajude nessa prevenção. Dizer que é frescura, imaturidade não colabora em nada. Viajar também não resolve. É necessário tratamento médico especializado e o apoio da família tem importância fundamental para a recuperação da paciente”, completa.

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