Há cerca de oito anos, o mundo, principalmente nas regiões da Ásia e da Europa, tem tido que lidar com um vírus Influenza (da gripe) até então inofensivo para os seres humanos. A gripe aviária teve seus primeiros casos documentados em Hong Kong (China) em 1999, quando, principalmente crianças, começaram a contrair a doença que antes só afetava aves.
A gripe aviária é uma doença desenvolvida entre animais (epizootia). Os portadores naturais do vírus são aves selvagens migratórias e, em especial, patos selvagens. Eles, porém, não costumam desenvolver a doença. O problema ocorre quando o agente causador atinge aves domésticas, como galinhas, que estão mais expostas à infecção.
“A gripe humana vem de muito longe, alguns faraós chegaram a morrer por este motivo. Mas, a gripe aviária é diferente, é uma mutação dos vírus Influenza, oriundo de aves, que adquiriram a capacidade de infectar humanos. Eles diferem dos vírus humanos, caracterizados por hemaglutininas H1, H2 e H3, por se constituírem de hemaglutininas diferentes – H5 e H9. Os vírus H5N1 e H9N2 são os principais responsáveis pela doença”, explica o Dr. Jorge M. Buchdid Amarante, infectologista do Hospital Samaritano.
A transmissão do vírus das aves para humanos pode acontecer pelo consumo da carne mal cozida da ave infectada, pelo consumo de pratos exóticos ou pelo contato com fezes vindas destes animais contaminados. “Quando a ave é bem cozida, assada ou frita, o vírus morre. Mas existe, por exemplo, um prato tailandês típico que é o pato cozido. Nele, o charme está em regar a comida com o sangue cru do animal, sem cozimento e, neste caso, também há grandes riscos de contaminação”, alerta o Dr. Amarante.
Não há nenhum caso documentado em que o vírus da gripe aviária tenha sido transmitido de humanos para humanos.
O vírus em ação
Uma vez no organismo humano, o H5N1 causa sérios problemas respiratórios. “É uma pneumonia grave, com restrição respiratória. Há falta de oxigênio e a pessoa precisa ser entubada”, explica o infectologista.
A gripe humana comum apresenta um índice de mortalidade baixo. O Dr. Amarante afirma, porém, que 70% a 80% dos casos de gripe aviária terminam com morte do paciente se não for tratada. No caso de haver cuidados, que podem ser feitos por meio de antivirais e outros medicamentos específicos, a taxa de óbito cai para 15% a 30%.
A melhor forma de evitar a infecção pela gripe aviária é ter bastante cuidado ao lidar com aves, principalmente as pessoas que trabalham diretamente com elas, como cozinheiros, por exemplo. “É preciso ter uma ótima higiene nas mãos ao manipular os alimentos e ao cozinhá-los. Não se deve levar as mãos sujas aos olhos e à boca e é necessário muito cuidado ao lidar com as aves. Esses alimentos jamais devem ser consumidos crus ou mal passados. Com as aves sempre bem cozidas, assadas ou fritas, é eliminada a possibilidade de contaminação. É recomendável, também, evitar pratos exóticos em lugares de risco, como os regados a sangue cru”, alerta o infectologista.
Quem trabalha com criação de aves também deve tomar precauções, como manter o local sempre limpo e nunca empilhar os caixotes de galinhas, pois fezes contaminadas podem descer pelos furos e infectar os outros animais. O ideal é sempre colocar os caixotes lado a lado.
Riscos trazidos pela migração
Controlar a entrada do vírus da gripe aviária pode ser complicado, principalmente em países que fazem parte da rota migratória de aves selvagens, como patos e marrecos. Contudo, o risco de uma pandemia (epidemia de nível mundial), apesar de existir na teoria, é baixo. “A situação é diferente de 70 anos atrás, quando a humanidade passou por pandemias imensas com milhões de mortos – como em 1924 - e ainda não havia os recursos médicos hoje disponíveis. Agora, a medicina está muito mais armada do que há 70 anos”, analisa o Dr. Amarante.
O Brasil, até o momento, por não ser destino de aves contaminadas e não estar próximo de países que apresentam focos da gripe aviária, não corre grandes riscos. Mesmo assim, é possível agir para manter o vírus fora do território nacional. O infectologista afirma que o serviço de saúde pública tem condições de fiscalizar e controlar a origem das aves que, eventualmente, venham de outros países.
Além disso, o brasileiro tem hábitos diferentes daqueles comuns em locais onde a epidemia se alastrou. “Não há casos de gripe aviária aqui, talvez por ser um país tropical ou por possuirmos hábitos alimentares mais saudáveis no tocante ao tratamento das aves. Na China, os costumes são bem exóticos, como a utilização de alimentos crus e vísceras, de maneira mais freqüente que no Brasil. Os brasileiros não estão habituados a esse tipo de condição alimentar, porém sempre ficamos com um pé atrás”, conclui o Dr. Amarante.
Mais Dicas de Saúde