LINFOCINTILOGRAFIA, LINFONODO SENTINELA E ROLL
Nas últimas décadas têm ocorrido em todo o mundo, significativo aumento da incidência do câncer de mama e conseqüentemente da mortalidade associada. A pesquisa do linfonodo sentinela é mais um avanço no tratamento do câncer de mama sendo um importante fator prognóstico estimando o risco de recidiva e a sobrevida do paciente. A etapa inicial deste avanço foi a conservação da mama. Assim podemos oferecer cirurgias menos mutiladoras, minimizando o estigma do câncer de mama, devolvendo a mulher uma maior autoestima, sem prejuízo algum das taxas de sobrevida livre de doença e sobrevida global. Para tumores menores de um centímetro, e quando não há envolvimento dos linfonodos, a sobrevida a sobrevida é de mais de 90 % e quando estes estiverem comprometidos em torno de 65 %. No Brasil são registrados cerca de 36 mil novos casos de câncer de mama por ano e 9110 óbitos por conta da doença; (estima-se que a doença é a maior causa de óbitos para o público feminino). Muitos destes óbitos poderiam ser evitados com o diagnóstico precoce da doença. As chances de cura quando o câncer de mama é diagnosticado precocemente são de 90%.
O exame Linfocintilografia e a técnica da localização e biópsia do linfonodo sentinela em paciente com câncer de mama permitem evitar, a cirurgia radical com mastectomia e o esvaziamento axilar em caso de não comprometimento linfonodal.
A maioria dos tumores que se propaga por via linfática não apresenta uma disseminação linfonodal padrão, de forma que nem sempre o linfonodo mais próximo do tumor é o primeiro a ser comprometido. Isto é especialmente verdadeiro nos casos de câncer de mama e melanoma. O mapeamento linfático permite identificar qual o primeiro linfonodo que recebe a drenagem do tumor - o LINFONODO SENTINELA (LS) - e, através da sua biópsia, obter-se uma informação acurada determinando-se o estado histológico dos linfonodos regionais. Portanto em caso de metástase axilar este será o primeiro gânglio comprometido. Admite-se que se o linfonodo sentinela estiver livre de metástase, os outros linfonodos também estariam livres. Por outro lado, o comprometimento do linfonodo sentinela pode indicar o acometimento de outros gânglios. Em pacientes com melanoma, vários autores demonstraram que a histologia do linfonodo sentinela prediz com acurácia o estado da cadeia linfonodal, sendo que sua pesquisa e biópsia podem substituir a linfadenectomia total nos casos em que não apresentar metástases. Estudos recentes indicam uma aplicação semelhante desta técnica no câncer de mama, podendo evitar a morbidade da dissecção axilar naquelas pacientes em que o linfonodo sentinela apresentar histologia negativa. Outros potenciais indicações são os tumores de cabeça e pescoço e os de pênis e vulva. Com esta abordagem, a cirurgia oncológica poderá diminuir sua extensão, reservando a ressecção ampla do tumor mais linfadenectomia quando realmente necessário.
Uso intra-operatório do detector portátil de radiação (gamaprobe) para localização do linfonodo sentinela usando a técnica de Medicina Nuclear com Tecnécio marcado.
ROLL – RADIO GUIDED OCULT LESION LOCALIZATION
A cirurgia radioguiada, além da detecção do linfonodo sentinela, também pode ser aplicada na detecção e retirada de lesões mamárias suspeitas, porém não palpáveis ROLL= "radioguided occult lesion localization" através da injeção de dose mínima de radiotraçador no local de interesse e posterior retirada cirúrgica guiada pelo gamaprobe.
Ainda, cirurgia radioguiada pode ser aplicada nas cirurgias de paratireóides (adenomas), câncer de tireóide, osteoma osteóide, tumores neuroendócrinos, enfim, qualquer lesão de difícil localização que concentre seletivamente determinado radiofármaco e que seja passível de tratamento cirúrgico. Resumindo, através da identificação do linfonodo sentinela, permite-se: retirada cirúrgica rápida e precisa por técnica da cirurgia radioguiada (após identificação e marcação radioativa do linfonodo sentinela pela linfocintilografia); análise minuciosa e confiável pelo patologista de apenas 1-3 linfonodo (s) específicos, ao contrário do que acontecia até então, onde se retirava cerca de 20 linfonodos de produto de esvaziamento axilar para serem analisados; avaliação precisa do "status" ganglionar, permitindo restringir cirurgias de maior porte apenas se necessário, além de orientar adequadamente o uso de terapia sistêmica; redução da quantidade de esvaziamentos ganglionares desnecessários, com conseqüente redução de custo e das complicações pós-operatórios como edema, dor pós- operatória, risco de infecção, perda de hormônios, estética, etc.
Quem deve solicitar o exame? Como qualquer método de diagnóstico subsidiário, seu exame deverá ser sempre solicitado por um médico (a)
A linfocintilografia NÃO dever ser realizada em mulheres grávidas! Caso haja qualquer dúvida de risco de gestação, é melhor realizar antes um teste de gravidez ou informar o (a) médico (a).
Caso esteja amamentando, deve-se suspender a amamentação e o contato íntimo com a criança por no mínimo 24 horas após o exame.
Não é necessário preparo ou jejum antes do exame.
O exame é seguro?
Os riscos são MÍNIMOS, relacionados apenas a probabilidade de reação adversa a medicamentos ( incluindo reação alérgica ), uma vez que se injeta radiotraçador. Estudos médicos* da década de 90 incluindo mais de 850.000 pacientes verificaram índices MÍNIMOS de reação adversa, variando de 2 para cada 100.000 a 1,1 para cada 10.000 aplicações, ou seja, entre 0,002% a 0,01%.Especificamente em relação ao fitato-99mTc, radiofármaco utilizado nas linfocintilografias, NÃO houve até hoje nenhum tipo de reação adversa após injeção do fitato-99mTc em exames de linfocintilografia.
A radiação empregada no exame faz mal para saúde?
NÃO existe dano ou risco algum para o (a) paciente nas doses de radiação habitualmente utilizada nos procedimentos diagnósticos de medicina nuclear. A exceção seria no caso de mulheres gestantes (principalmente no 1º trimestre) e em amamentação, pois devido a maior sensibilidade do feto e do recém nascido, evita-se a exposição a qualquer nível de radiação, sendo, portanto contra- indicado a realização de exames de medicina nuclear em gestantes e mulheres em amamentação, salvo casos especiais previamente discutidos com médico responsável.
Quanto custa o exame?
A linfocintilografia e a cirurgia radioguiada, por envolverem uso de insumos radioativos, fármacos, equipamentos de alta tecnologia e necessidade de profissionais com alta qualificação, compreendem procedimentos de alta complexidade. O custo do exame é coberto pela maioria dos convênios e planos de saúde.
Caso o seu plano não forneça cobertura ou a clínica não esteja credenciada, os valores praticados na "tabela particular" podem ser obtidos via contato telefônico. Devido as constantes variações no custo de materiais, política tributária instável e margens de negociação, infelizmente não podem dispor de tabela de preços on-line.
Como agendar meu exame?